domingo, 21 de dezembro de 2008

Puzzle


Lá fora o frio era cortante!

Sentada no seu cantinho, com a lareira a crepitar e a música a envolvê-la, tentava concentrar-se na leitura. O livro escorregou-lhe das mãos e os olhos fixaram-se nas labaredas de tom laranja.

Céus, como é lindo o fogo!!!... Lembrou Camões "amor é fogo que arde...", deixou o pensamento vaguear e chegou àquele amor que lhe ardeu na alma, aqueceu o corpo, secou as lágrimas, iluminou os sorrisos e deu forças para lutar. Foi há tanto tempo!!!... ou terá sido ontem?... a última vez que sentiu o arrepio na espinha e o formigueiro na barriga?

Quiseram construir um puzzle onde as peças encaixavam dia a dia, dando a certeza de que no final ficaria fabuloso e completo, mas...há sempre um mas. Um dia alguém perdeu uma peça, uma das mais pequenas é verdade, mas que no final se veio a relevar tão importante...
Ao príncipio atarantados, procuraram encontrar o responsavel, porém com o passar dos dias tentaram ultrapassar o sucedido, não lhe dando muita importância.
Que ingenuidade a dos apaixonados! - desfizeram o que estava feito, refizeram-no de uma e outra forma, mas acabavam sempre por não conseguir completar o puzzle.
Abandonaram a tarefa algumas vezes, para a retomarem outras tantas, cada vez com menos sucesso. O almejado puzzle ainda tomou forma, mas num acto de desespero as peças baralharam-se e, tudo se perdeu.

Tão simples fazer um puzzle...até as crianças conseguem. Talvez seja mesmo assim...só as crianças conseguem! Os adultos desistem, perdem peças, enfastiam-se.
Será pelo tempo que lhe toma? Porque têm pressa, ou simplesmente porque não querem?
Tanta pergunta sem resposta, tanta vontade de construir e tão poucos obreiros empenhados na construção.

Lá fora o frio era cortante!
Cá dentro também a sua alma tinha gelado.


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