segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Derivações de uma insónia

A noite é misteriosa, imovel, sensivel, vagarosa, mas também voluntariosa, indolente e silenciosa. À noite há mais tempo para sonhar, mas também para pensar..., escrever... sei lá! 
O pensamento leva-me até aquelas noites quentes, voluptuosas, encantadas, envolvidas em abraços perduraveis, beijos profundos, desvarios memoriaveis, palavras perfeitas. Depois devolve-me a lembrança de outras agitadas, trocistas, irrequietas onde tudo acontece em sequência, sem marcação  e vontade próprias...como se de uma tira de banda desenhada se tratasse.  Vêem-me ainda à memória aquelas outras noites calmas, ternas e cintilantes, iluminadas apenas pelo brilho das estrelas, onde o estar e o ser se confundem numa fusão de palavras, gestos e sentidos. É noite e, sinto a tua ausência na pequenez da palma da mão, como a tua presença na imensidão da alma. Estamos acordados ou apenas aprisionados num sonho interminavel  com receio de sair para esta fragil realidade? Ou sonhamos apenas a verdadeira realidade para voltar a adormecer num sonho doce e apaziguador de noites brandas?
Afinal falar de noites é quase o mesmo que contar carneiros... porque no final sempre adormeço nos teus sonhos.

domingo, 10 de julho de 2011

Porque hoje é o dia do teu aniversário...

A memória é "tramada". Ausenta-se quando nos faz falta e, permanece quando queremos esquecer, embora reconheça que as recordações são boas porque nos permitem viver uma e outra vez o que de outra forma não seria possivel.
Lembras-te quando te disse que não gostava de sentir saudades? Agora são minhas aliadas pois é por elas que estamos juntos. Hoje no dia do teu aniversário ainda existem tantas coisas fantásticas e que nos são queridas para festejar, como todos os acto de criação feitos com amor, envolvimento, paixão, loucura, tormenta e muita vontade. Voavamos num trapézio sem rede, porque em ti tudo era excessivo, mas percebo agora que não poderia ser outra forma. Depois a dicotomia sempre presente... com tempestades, seguidas de calmarias; alguma paz antes das guerras e, depois da guerra, ...muita. Amavas e odiavas com o mesmo à vontade que saboreavas "vitelinhos", conduzias a mais de 200km/hora, acreditavas que vida tinha de ser vivida no fio da navalha. Já passou muito tempo, ambos mudámos, mas continua a haver confettis como da primeira vez, o fascínio da música mantêm-se, o Brasil continua a ser o teu paraíso sonhado e as palavras continuam a dizer o que não queremos esquecer. Bem hajas por permaneceres igual e tão diferente... parabéns!

sábado, 4 de junho de 2011

É simples falar de felicidade

Ah, ...como é facil falar de felicidade! É um bem-estar interior que se reflecte no que somos e no que fazemos. Não é uma procura, nem uma luta desenfreada. É um estado de alma que nos deixa ora calmos e mornos, ora exuberantes e estriónicos e, essa dicotomia é maravilhosa. Por vezes dificil de alcançar, outras vezes, mesmo ali à mão. Há objectos, pessoas, palavras, actos, acontecimentos, memórias, sons, odores, sabores, toques que nos deixam felizes e queremos prolongar essa felicidade indefenidamente! Mas por isso é que é se chama felicidade...pode durar..., mas em permanente mutação e o que foi tão maravilhoso ontem à tarde, ainda que em tudo igual ao momento presente, não será experienciado da mesma maneira, por isso a felicidade se veste de tantas roupagens e se serve de tantos enfeites, qual camaleão adaptando-se. Parte do seu encanto reside nisso mesmo, pois "não são os mais fortes que sobrevivem, mas sim os que melhor se adaptam"...e, esta maravilhosa frase de Charles Darwin também se aplica ao caminho da felicidade: descobrindo-a onde ela está, porque pode estar em quase tudo e não a querer onde nunca vai estar. E não obstante, não devemos er conformados porque e o sonho é visceral e obrigatório.
Tantos livros escritos sobre felicidade e tantas formas milagrosas de a encontrar tornaram-na exigente e determinada, como se fosse o fim último de qualquer coisa. Não me parece que seja dificil de encontrar, apenas alguma atenção e muita predisposição, pois como para todas as coisas especiais da vida é preciso não ter pressa, nem ansiedade, senão lá se estraga o momento de felicidade...

terça-feira, 10 de maio de 2011

Palavras soltas

Hoje poderia estar virada para a poesia se me apetecesse dizer coisas. Apetece-me escrever, mas dizer ainda não...sentir, talvez! Procuro páginas, revolvo escritos, reinvento histórias, descubro mensagens, choro, sorrio destas lembranças... algumas grandes, outras pequenas. Arrisco umas linhas... colhidas do meu jardim interior.
Outra vez mais, uma vontade de saborear momentos de felicidade, desejos de viver, amar, acreditar, sonhar. Isto sim, é vida a fluir sem barreiras, nem entraves...seguindo um curso simples: por vezes rápido, outras mais lento, algumas margens para orientação mesmo sem saber o que se pode esperar, almejando pelo tanto que ainda se não tem, mas se pressente quando o crer se torna em querer. E o carrocel continua o seu movimento de sobe e desce onde o equilibrio é fundamental para não cair. Mais uma voltinha, mais uma viagem e, por mais voltas que se dê sem sair do mesmo sítio permanece-se mutavel porque a vida é contínua, ambígua e até nos oferece boas surpresas, só é preciso estar atento...depois Abril é um mês lindo...embora já estejamos em Maio.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Liberdade

Não me apetece falar de revolução, cravos vermelhos ou capitães, mas Abril é um mesmo bonito e o dia 25 especial e diferente, por isso de um dos meus musos, sim porque nem só as musas inspiram o génio; também há musos a inspirarem a  minha ausência de genialidade (ahahah...desconbri! são eles os culpados de tudo o que me falta ;-), em criatividade, claro. Bem, bem, sem mais delongas aqui fica um irónico hino à liberdade..., liberdade que cada um  de nós pode usar da forma que melhor souber e quiser, e com a qual nem sempre é  facil de lidar. Também se fosse, tudo "isto" não teria a mínima graça.

Ai que prazer
não cumprir um dever.
Ter um livro para ler
e não o fazer!
Ler é maçada,
estudar é nada.
O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal,
sem edição original.
E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal
como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma.
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças,
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa
(16/03/1935)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Neblina matinal

Jardim do Museu de Arte Antiga sábado de manhã. A neblina envolve a cidade dando-lhe um tom esbatido. A outras margem é quase uma miragem. Os chorões debruçam-se sobre a minha escrita como que entrelaçando-se nas palavras. Um friso bem alinhado de chaminés bem quietas prefila-se na paisagem. Uma estátua de costas para o rio, metade homem, metade peixe, perdeu a cabeça entre os braços que a seguram. Mais ao fundo um hotel flutuante toca o rendilhado do tabuleiro da ponte. Barcos à vela passeiam-se lentamente no Tejo e os guindastes fazem-nos perceber que afinal o progresso existe. Pássaros sentem-se no seu esvoaçar e o sol tímido a tentar romper as nuvens, fazem deste conjunto, ou não estivesse o museu logo ali, um quadro que se sente por inteiro. Ah, esqueci-me de que estou aqui para estudar! Opsss...mais um crédito para a obrigação; adiam-se os devaneios.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Inconsciente colectivo

Final de tarde de um quente dia de Primavera e lá vou eu Rua Garret abaixo para uma sessão de trabalho...Jung a quanto obrigas!..., mas a apresentação é já amanhã e, na verdade há muitos esboços, alguns escritos, conversa qb..., mas slides e assim...nada feito!!! Toco à campainha e a campainha é dourada... um luxo;-). Entro para a sala e deslumbro-me com a vista da janela: os recortes dos telhados, as torres da Sé e o Tejo ali tão perto. Fabuloso screensaver para um trabalho de psicologia da personalidade. E, as horas vão passando com self, grande mãe, sábio, anima, animus, máscara, herói e outros arquétipos que povoam o nosso inconsciente colectivo e,  nos dão a resposta para as sensações de "déjà vu", explicam o amor à primeira vista e resolvem os dogmas numa dicotomia de explicações tão simples e complexas. Cala-se a rua e escutam-se os barulhos do ar condicionado, logo amenizados pela musiquinha da Marginal a fluir e a influir nas dissertações à volta do inexplicavel Carl Jung...muita droga naquela cabeça!!!
Terminámos de madrugada cansados, com sono, saltando de acordo em desacordo, mas com o prazer do objectivo conseguido. Não fora faltarem os bonecos (apenas consegui um retrato...bonito, é verdade) e o pragmatismo que nos uniu na escolha do psicólogo levou-nos a flutuar numa apresentação prática-cómica cheia de dinamismos e crepúsculos de vida. Faltou desenvolvimento(?!), mas foi um in...consciente que se realizou. Obrigada CR e vê se não é linda esta Mandala.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Reticências

...adoro reticências!
Foi assim que começou uma divertida conserva num domingo de manhã na fantástica esplanada do Museu de Arte Antiga.
Efectivamente as reticências são uma ajuda maravilhosa em qualquer texto, perdão, reticências fazem toillete com tudo o que se diz, pensa ou escreve!
Permitem que a nossa imaginação tome conta do que vem a seguir:

...uma maravilhosa imagem de requintado efeito ictórico;
...um qualquer quadro grotesco;
...um gesto  suspenso; 
...um silêncio constrangedor;
...um pensamento inacabado; 
...um desejo inibido;
....uma caneta sem tinta, 
ou apenas a voz que emudeceu...

domingo, 9 de janeiro de 2011

New York, New York

Que banalidade, ter adorado NYC!!!..., mas que fazer, se eu sou apenas um simples mortal que conseguiu encontrar tudo aquilo de que todos falam e ainda algo só meu: intímo e intransmissivel.
Que existe magia naquela cidade, penso que todos já ouviram falar, mas ouvir a cantiga do Sinatra enquanto se caminha nas ruas, achar que se está a viver dentro de um filme e, acreditar mesmo que seria maravilhoso não ter necessidade de dormir para aproveitar todas as horas e minutos do dia, foi o que eu senti, vivi, escutei, admirei e sonhei. Foi maravilhoso TUDO!!!
Sobrevoar a cidade antes de aterrar e depois, encontrá-la ao dobrar de uma curva; ficar "assustada" com tanta agitação; cegar com tanto néon em Times Square; descobrir Chelsea numa manhã de Outono cheia de sol; fazer compras na Fifth Avenue e, noutras mais; atravessar a Ponte de Brooklyn e encontrar uma placa "Welcome to Brooklyn -Oh nice it is!"; subir ao Empire State e tirar fotos até o sol se pôr; assistir a um musical na Broadway; ir no domingo à missa do Harlem ouvir Godspel; fazer a travessia de barco até Staten Island e passar pela Estátua da Liberdade; percorrer o Central Park; visitar o MoMA e o Met (porque não deu tempo para mais museus); viajar de metro e não conseguir contar as carruagens de cada comboio; ouvir jazz num bar do Soho; saborear algumas especialidades locais; estar na Central Station a reviver todas as partidas e chegadas de muitas vidas; encontrar portugueses nas ruas que nos cumprimentam com um vigoroso "bom dia"; comprar uma bóina de ardina dos anos 20 numa fantástica loja de chapéus; assistir a espetáculos de rua; fotografar esquilos no Madison Square Garden; encontrar feiras de produtos biológicos em Union Square; descobrir que andar na rua é uma aventura fabulosa; namorar e descobrir-me apaixonada por esta cidade foi apenas um pormenor ;)